Vox populi #ForaFeliciano

Foto: Amandha Haupenthal Vianna

Foto: Amandha Haupenthal Vianna

Sábado, 09 de março de 2013. Tempo nublado, ameaçando chover, mas muito abafado. Temperatura de 28°C por volta das 14h. Porto Alegre, uma das várias cidades onde ocorreram protestos contra a nomeação do pastor e deputado Marco Feliciano (PSC) como presidente da Comissão dos Direitos Humanos. Local de encontro: Monumento do Expedicionário, na Redenção (apelido para o Parque Farroupilha). Quando cheguei lá, por volta das 14h10, tinham, no máximo, umas 100 pessoas, representando várias parcelas das “minorias” (entre aspas, pois uma delas, os negros, não são) ofendidas pela nomeação desse indivíduo racista, homofóbico (sabiam que ele defende a “cura” gay?) e intolerante contra as religiões ditas “pagãs”. Aos poucos, foi chegando mais pessoas, e lá pelas 15h já deveria ter umas 300.
Estávamos “amparados” pelas presenças da Brigada Militar, Guarda Civil e EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação), e esta última não permitiu aos manifestantes de andarem pela via pública, visto que a reunião dos mesmos foi praticamente espontânea e não avisada com antecedência, então só pudemos caminhar do monumento até o chafariz na parte central do parque, “abraçá-lo” e voltar ao ponto inicial.

O pessoal do #ForaRenan acabou se unindo a nós do #ForaFeliciano e formamos um protesto só, devido ao objetivo similar. Haviam bandeiras do arco-íris (sempre lindas) e cartazes com várias mensagens, entre elas “Sou negro, gay e humano | Aceita essa maldição, Feliciano!”, “Você não nos representa”, “Chapinha não!” (risos), “Omissão dos Direitos Humanos” (muito bom) e “Feliciano, as bichas querem ser salvas pelos bofes e não pelos pastores” (muito sem noção). Um a um, representantes dos movimentos – gays, lésbicas, membros de religiões africanas e wicca, e até um monge budista – discursaram em cima de um dos monumentos do parque, improvisando um palanque. Alguns discursos foram bem emocionantes, inclusive um que surpreendeu a todos foi o de um moleque, que deveria ter no máximo uns 14 anos, que disse mais ou menos assim: “Eu sou heterossexual, não pretendo ser gay, estudo no Colégio Israelita e ano passado inteiro estudamos o Holocausto. O Brasil está caminhando pelo mesmo caminho. Obrigado.”, e foi muito ovacionado.
Discurso vai, discurso vem, e não é que sobre um boyzinho com boné de aba reta (virada pra trás) e com uma bíblia na mão? Obviamente foi vaiado e nem deixarem ele continuar o discurso que começou com “Está escrito na Bíblia…” (certamente começou errado, né).
Fizemos o percurso na Redenção conforme descrevi acima e, depois abraçamos o chafariz e, inclusive nesse momento, alguns cosplayers de animes (tinha até um vestido de Charmander, mas não tirei fotos) se juntou a nós, ajudando a colorir ainda mais a diversidade das tribos que compuseram a manifestação. Depois disso fui embora, mas gostei muito. Peço desculpas pela câmera do meu celular de 0,1 megapixel, eu sei que ela não condiz com a minha vocação jornalística-blogueira-investigativa. rs
Ah! E fica aqui minha indignação contra os ativistas de sofá que não compareceram, pois com mais gente, nosso barulho seria ainda maior. Inclusive tinha lá um cartaz que dizia “Curtiu no Facebook mas pq não veio?”. Verdade.

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