Jesus era louco

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Como todos devem saber eu sou ateu, porém nos últimos dias, onde a intolerância religiosa cada vez cresce mais, eu tenho me pego pensando na origem do Cristianismo. Os cristãos têm esse nome por que acreditam e seguem (ou pelo menos deveriam, ah, se deveriam!) seguir o que nos ensinou Jesus Cristo. Mas quem foi Jesus? Posso contestar a existência de Deus, mas acredito que Jesus existiu sim. Ele foi o cara que teve a melhor ideia para solucionar a maioria dos problemas do mundo: ele pregava o amor entre as pessoas. Mas amor de família? Amor pra casar? Não, amor incondicional, amar todas as pessoas, independente do grau de parentesco, ou se são nossos amigos ou desafetos. Ou seja, ele pregava a TOLERÂNCIA. Não importa a procedência da pessoa, ou a classe social, ou a cor da pele, ou o que ela faz ou deixa de fazer na vida pessoal. Respeitar a TODOS. Mas pensando bem, isso é humanamente impossível. Como é possível amar a todos se temos tantos preconceitos? O ser humano tem o ódio imbutido em seu DNA, ele já nasce com mais ferramentas para destruir do que para criar, isso é fato. Se dermos uma arma de fogo para cada criança em uma creche, elas todas se matariam, pois está em nossa natureza. Isso muda apenas na fase adulta (nem sempre funciona, infelizmente), quando nos “socializamos”, nos tornamos mais “dóceis” para que possamos conviver com outras pessoas. Isso se chama “sociedade”.
Por pregar o amor incondicional ao próximo, para todos assim vivermos em paz, independente do que fazemos, Jesus foi morto pelos romanos numa cruz. Tá certo que o fato de ele afirmar que era filho de Deus e que veio à Terra para nos salvar foi um “agravante” maior, mas com certeza essa ideologia também foi uma ofensa ao Império Romano, que colonizou metade do Mundo Antigo, e seria perigoso demais a eles um indivíduo que pensasse assim em seus domínios. Daí eu lembro também de Joana D’Arc, que afirmava falar com Deus e teve que destino mesmo? Exato, queimadinha na fogueira. É difícil pregar o amor entre os seres humanos e não ser taxado como louco. Pensar assim é uma loucura descabida mesmo.
É por isso que muitos que se dizem “cristãos” hoje em dia nos decepcionam tanto, pois nem eles podem seguir literalmente o que Jesus pregava. É mais fácil mesmo só ser gentil e compreensivo com seu “irmão de igreja” e tudo o que for diferente – homossexuais, praticantes de outras religiões (principalmente as de matriz africana), cientistas e artistas de um modo geral – deve ser abominado, discriminado, execrado. O que eles não percebem é que Jesus (o cara que eles deveriam se espelhar fidedigninamente) andava com as minorias – leprosos, prostitutas, pobres, ladrões – e, se vivo estivesse nos dias de hoje, também apoiaria as causas LGBT, os drogados, os índios etc, porque amar o que é igual é fácil, mas amar o que é diferente, isso sim é digno de uma entidade divina. Não conheço um cristão sequer que viva 100% dessa linha de raciocínio, todos têm um ou mais “Cristos para crucificar”. Aí fica complicado levá-los a sério.

2 pensamentos sobre “Jesus era louco

  1. Você tá certissimo, do começo ao fim. Eu fui criado dentro do catolicismo e durante uns seis, sete anos, o vivi mais intensamente. Depois de um tempo, com um pouco de senso crítico, chega um momento q vc percebe q uma boa parte (pra não dizer a maioria) está ali no piloto automático, por tradição, por costume, por hábito, mas aplicar oq houve nas leituras do evangelho, é raro. Estão só de corpo presente, as palavras não são assimiladas, não há esforço pra agir conforme a mensagem. E isso vale pra outras denominações. Simplesmente não percebem q Jesus estava sempre pronto pra abraçar o diferente, seja o samaritano, o guarda romano, o leproso, o cego, o cobrador de impostos, a prostituta, estava sempre ao lado dos q eram considerados “a escória” da sociedade. Acho q amor, amor, de dar a vida, é dificil ter para todos irrestritamente, mas respeito a forma q cada um vive já é um bom começo. E nem precisa ter um deus pra isso.

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  2. Seu texto tem total fundamento e concordo com a sua idéia geral de que as pessoas deveriam seguir os ensinamentos de Cristo, que era acima de tudo o amor incondicional ao próximo, porém não posso deixar de discordar com o fato de você dizer que nascemos com o ódio embutido em nosso DNA e o exemplo das crianças, partindo do princípio que há um processo de desenvolvimento as crianças se matariam sem se dar conta do que estaria acontecedo, talvez apertassem o gatilho e matassem alguém, mas não por odiar essa pessoa e querer vêl-a morta mas sim por teve curiosidade em apertar o gatilho ou X outras alternativas. O fato de algo ser ou não inato a nós é uma discussão muito ampla porém acredito (espero que eu esteja certo) que o preconceito que leva ao ódio não é algo inato a nós e sim aprendido.

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