O beijo gay e seus desdobramentos

BeijoFelixNiko

Menos de 48 horas depois e a coisa mais comentada na internet é o beijo entre os personagens Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso), no último capítulo do folhetim “Amor à Vida“, da Rede Globo, e o que eu não queria era ser mais um dar opinião sobre os desdobramentos do ocorrido, porém como eu questionei uma vez a falta de um beijo gay nas novelas globais no meu antigo blog, me vejo obrigado a falar um pouco sobre esse polêmico evento, mesmo não tendo acompanhado a novela.
Primeiramente, queria deixar claro que o beijo de Félix e Niko não é “o primeiro beijo gay da TV brasileira”, e tampouco o da Globo. Em 1985, na novela “Um Sonho a Mais“, Ney Latorraca deu um selinho em Carlos Kroeber, mas esse não conta como “beijo gay” porque o personagem de Ney era uma mulher (mas ok, mesmo assim eram dois homens se beijando); em 1990, na minissérie “Mãe de Santo”, da extinta Manchete, mostrou os atores Raí Alves e Daniel Barcellos dando um beijo no escuro (só aparecem as silhuetas deles durante a cena, que pode ser vista aqui); em 2008, na minissérie global “Queridos Amigos“, o personagem de Guilherme Weber – gay – rouba um beijo de Bruno Garcia – hétero (mais um que não conta como “ósculo homossexual”); e por fim, na novela “Amor e Revolução”, de 2011 do SBT, exibiu o beijo entre as personagens de Giselle Tigre e Luciana Vedramini, mas parece que o Brasil não assistiu (mas tá no Youtube). E isso sem contar outras programas, como o “Beija Sapo“, da MTV.
Bom, depois desta pequena aula de história da dramaturgia brasileira, vamos entrar nos desdobramentos da cena do capítulo final de “Amor à Vida”. Sim, o desfecho do casal Félix e Niko foi um marco na TV brasileira, pois enfim quebrou-se o tabu de exibir-se um beijo gay em horário nobre, dando um desfecho razoável a um casal gay nas novelas (quem lembra de “América”, de 2005?) e para mostrar que isso é algo normal e quebrar (ou, ao menos, diminuir) o preconceito. Há relatos de que, durante a cena, a vizinhança vibrou como se fosse um gol da Seleção durante a Copa, e também temos um relato de aceitação de um jovem gay por parte do pai. Talvez tenham acontecido mais coisas boas assim que não temos notícias, mas com certeza nenhuma família brasileira foi destruída por causa de um selinho meio de lado entre dois atores, nenhuma criança “virou gay” por assistir a cena. Entrando nesse mérito, a classificação indicativa da novela era de 12 anos, mas lembrando que são os pais é que decidem se a criança pode ou não assisti-la. Eu acho que, no caso de um beijo, o quanto antes as crianças souberem que existem homossexuais e que isso é normal, melhor, pois assim se constrói um país com menos preconceito. E sobre o que é impróprio ou não para os infantes, acho que um beijo entre pessoas do mesmo sexo é mil vezes inofensivo do que cenas de violência, sexo, nudez, traição, assassinato etc, coisas que comumente se vê em programas deste horário. Vamos parar com a hipocrisia, né?
Não quis ler o que criaturas como Jair Bolsonaro e evangélicos extremistas pensam sobre o fato, mas notei que o beijo foi muito bem recebido entre o público.
Ficam aqui meus parabéns à Globo por finalmente ceder aos apelos dos telespectadores e que venham outros “beijos gay”, ao ponto de não precisarmos mais classificar os beijos e os casais como “gays” e “héteros”, tornando assim o Brasil, um país que é homofóbico e que mata 1 homossexual a cada 26 horas, num lugar melhor para a comunidade LGBT viver.

Adendo: Veja os beijos gays que já foram exibidos na televisão | Bol

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