[Resenha] Noé

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Mesmo antes de lançarem os trailers de “Noé”, eu já estava animado com o projeto, que já parecia ser grandioso, que pra quem não sabe, é a adaptação de uma HQ da editora Image (“Noah” foi escrita pelo próprio diretor do filme, Darren Aronofsky), fora o elenco etc. Depois dos primeiros vídeos, me animei mais um pouco, gostei de ver a atmosférica “bélica” do filme, pois Noé e a família precisam defender a arca de um exército que também queria se salvar do dilúvio (creio que isso não seja mostrado na Bíblia). Depois da estreia de “Noé”, na semana passada, alguns amigos/contatos assistiram e fizeram comentários negativos sobre o filme, de que acharam ruim e tal, daí desanimei bastante e fui com a expectativa baixíssima ao cinema. E não é que me surpreendi? O filme é muito bom sim, e fortíssimo (me fez chorar, inclusive), bela fotografia, atuação monstruosa (no melhor dos sentidos) de Russell Crowe e Jennifer Connely… São muitos os pontos positivos. Mas vou falar agora do que me incomodou:

  • Roupas e ferramentas à frente da época: a não ser que Aronofsky quis ter feito a história de Noé ambientada num universo retrofuturista, a direção de arte do filme está equivocadíssima. Tipo, em que época se passa a história do dilúvio? Uns 4000 anos antes de Cristo, não? Então, não pode ter existido naquela época tão remota casacos com costura e tudo (sendo que na Antiguidade eram usados peles de animais e no máximo, uns tecidos enrolados no corpo), e máscara de ferro para os ferreiros (tipo aquelas usadas pelos soldadores, para proteger os olhos), pelo menos não com os designs apresentados na trama. Isso me incomodou bastante;
  • A família de Noé era vegetariana: Oi? Se ele respeitava tanto a vida assim, porque deixou que TODA A HUMANIDADE morresse no dilúvio? Fica aí a dúvida;
  • A água veio por cima e POR BAIXO: Acho que Deus do filme de Aronofsky estava tão impaciente e não quis esperar que o dilúvio acontecesse só com a água da chuva, e mandou os lençóis freáticos para cime em geisers gigantes pra inundar tudo logo de uma vez. OK então.

Também teve toda o clima de “Deus vingador, magoado, irado e ressentido”, mas isso sei que ocorre muito na Bíblia e é só um dos motivos que me levam a não levar o livro sagrado dos cristãos a sério. De resto, o filme é “de boa”. Muita gente ficou indignada com os Guardiões (não vou explicar do que se tratam pra não dar muito spoiler), mas acho que, dentro do contexto da trama do filme, até que faz sentido (incluindo também o desfecho deles). Outras sacadas que gostei da história foram:

  • Os animais foram “dopados” e ficaram assim durante toda a viagem (com uma pajelança da mulher do Noé – olhaí o paganismo), o que responde a questão de como ele alimentou todos aqueles animais por vários dias e como os carnívoros não devoraram os herbívoros, etc;
  • Os continentes eram todos juntos, como era a Pangeia (e assim, facilita o lance dos animais povoarem toda a Terra);
  • Junto com a família de Noé foi uma menina (interpretada por Emma Watson) adotada por ele, e logo, não foi necessário apelarem para o incesto para “repovoarem” a Humanidade.
  • Quando Noé conta a origem do mundo, as cenas mostram como foi segundo os evolucionistas, e não como os criacionistas. Achei ousado e divertido.

Resumindo: um filmaço, forte, épico, grandioso e recomendado!

Título original: “Noah”.
Ano: 2014.
Direção: Darren Aronofsky.
Elenco: Russell Crowe, Jennifer Connely, Emma Watson, Logan Lerman, Anthony Hopkins.
Duração: 178 min.
Nota do Gilga: 8,5.

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